sábado, julho 22, 2006

 

the shallow sleep

É verdade, este blog parece um deserto. Mea culpa, que por culpa de assuntos derivados da questão chego a casa invariavelmente entre a meia noite e meia e as duas da manhã, para logo acordar às oito e rumar à aventura quotidiana de estar sentado nove horas por dia à frente de um monitor e ao lado do telefone, coisa tão estonteante que nos embrulha a todos os colegas presentes de tal modo que mal nos falamos durante o dia.

Tem piada, sempre pensei que trabalho de atelier seria muito mais em equipa do que é realmente. No fundo é cada um por si a tentar tapar os buracos dos seus colegas, barafustar por isso e inadvertidamente criar outros buracos, para os nossos colegas resolverem e barafustarem por isso.

Não é que esteja a fazer trabalho chato, nem me queixo disso - qualquer dia ainda posto qualquer coisa mais sobre a essência do que faço - mas é mais a ausência de debate, crítica, discussão sobre projecto e a focalização sobre as entregas, a imagem que se vende ao cliente, os problemas funcionais e legais (aquela coisa de que tanto falam sobre os arquitectos de terem de resolver "problemas"), mas sem um fio condutor do princípio ao fim que tenha uma unidade espiritual e conceptual única para cada projecto, decorrente dos programas e dos lugares. É tudo demasiado... intuitivo para o meu gosto. E individual.

Falta-me aquela coisa que a universidade permite, o desenrolar dos sonhos, a criatividade e o desejo de revolucionar o mundo, no fundo uma paixão pelo que se faz. O mundo do trabalho agarra numa pessoa e ensanduicha-a numa máquina compressora para que dela saia um "técnico especializado". E é natural que todos lutemos contra isto, uma espécie de resistência rebelde ao sistema institucionalizado e opressor, mas também é natural que ao passar de algum tempo essa resistência que tem na base uma ingenuidade infantil e cheia de paixão, passe a criar fetiches e tiques de frustração ressentida, ódio pela "situação" e por quem a criou (sempre o chefe), descambando finalmente numa atitude de "função pública", a de que está tudo mal e nós não temos culpa alguma nisto, dou o meu horário e não me peçam mais, não me chateies que não te chateio, não me critiques que eu não te critico e assim ninguém é prejudicado, das 9 às 6 tenho isto e depois vou "viver".

Vou almoçar. Até já (será?)

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